sexta-feira, 8 de junho de 2018

Um verdadeiro ministro cristão é consistente em todas as suas questões na vida


Um Verdadeiro Ministro Cristão é Consistente
em Todas as Suas Questões na Vida
(Cap. 1:12-24)
                 Paulo continua a explicar seus movimentos na obra e a abordar (indiretamente) as alegações que foram feitas a ele. Ao fazer isso, ele apresenta outra característica que deve marcar um verdadeiro ministro de Cristo – consistência. 
                 Seus detratores estavam dizendo que ele era uma pessoa insincera e não confiável. O exemplo que eles apontaram foi que ele havia dito que viria a eles antes do inverno, mas não veio (1 Co 16:4-6).  Querendo encontrar falha nele, viram isso como uma promessa quebrada.  Eles o acusaram de indecisão e falsidade - de dizer uma coisa, mas fazer outra.  Disseram que era um homem que não mantinha sua palavra, e insinuaram que ele poderia ser não confiável.  Aparentemente, tinham esquecido que ele tinha condicionado suas intenções de vir dizendo, se o Senhor o permitir” (1 Co 16:7). De todo modo, nos versículos 12-24, Paulo explica a razão da sua mudança de planos. Ao mesmo tempo, ele usa a oportunidade para mostrar outra grande característica que deveria marcar um ministro de Cristo – ele deve ser consistente em todas as suas questões na vida.
                 V. 12 - É difícil acreditar que o apóstolo pudesse ser acusado de ser sem personalidade.  Essas acusações lançam dúvidas sobre sua honestidade e integridade. Para remover essas dúvidas e suspeitas que os Coríntios tinham, Paulo começa com uma afirmação positiva e enfática de sua sinceridade, dizendo: “Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e de modo particular convosco”.  A “consciência” de Paulo era testemunha do fato de que sua conduta havia sido caracterizada por absoluta sinceridade.  Toda a sua vida foi de "simplicidade". Esta é uma palavra antiga em Inglês que significa claro/modesto/sincero.  Ele não era uma pessoa hipócrita; ele era um homem de integridade e “sinceridade de Deus”. Seu propósito de vir a eles não era algo “carnal” que mudaria de um dia para outro; foi o que ele propôes “na graça de Deus”. Esta era sua conduta normal com homens “no mundo” e para os Crsitãos.
                 Vs. 13-14 – Ele disse, “Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou também reconheceis”.  Ele não tinha um significado oculto para suas palavras quando escreveu a respeito de suas intenções de ir até eles. O significado das suas palavras era claro e óbvio.  Ele disse o que ele quis dizer, e não pensou em fazer outra coisa senão o que ele pretendia fazer.  
                 Ele estava grato que eles reconheceram/confirmaram o conteúdo de sua primeira epístola, e confiou que continuariam a fazê-lo, enquanto vivessem (“também até ao fim”).  Mas ele acrescenta tristemente, “Como também já em parte reconhecestes em nós”. Foi apenas “em parte” porque havia uma divisão entre os Coríntios que não apreciava Paulo e seus cooperadores.  Ao dizer isso, ele os avisou que estava ciente de que havia alguns entre eles que estavam contra ele.
                 Vs. 15-16 - Com esse tipo de pureza de propósito, Paulo tinha o “propósito de ir (AV) ter com eles. De fato, tão transparentes eram seus motivos que não tinha dificuldade em dizer-lhes que realmente pretendia vir duas vezes, para que eles tivessem uma segunda graça”. Ele queria ir até eles a caminho da Macedônia, e depois visitá-los novamente, retornando da Macedônia em seu “caminho para a Judéia” (AV).
                 Vs. 17-18 – Ele lhes pergunta, “E, deliberando isto, usei porventura de leviandade? Ou o que delibero, o delibero segundo a carne, para que haja em mim sim sim, e não não?” Isto poderia ser respondido com um sonoro, “Não!” (“Leviandade” é uma antiga palavra em Inglês que significa ser imprudente, frívolo).  Ele insiste que seus planos não eram sim, sim, e então, por um capricho, ele os mudou para não, não.
                 Paulo usa as críticas deles como uma oportunidade de mostrar que o servo do Senhor deve ser tão bom quanto a sua palavra em todas as suas questões.  Suas relações com as pessoas devem ser consistentes com o caráter do próprio Deus. Insiste que aquele era o caso com ele, dizendo como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não foi sim e não”. Veja também Tiago 5:12.
                 Vs. 19-20 – De acordo com isto, o evangelho que ele, “Silvano” e “Timóteo” levaram entre os Coríntios no início era “não sim e não, mas n'Ele era sim”. Tudo o que Deus promete no Evangelho ele entrega/cumpre em Cristo. Além disso, todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós”. Não apenas era o “sim” encontrado em Cristo, mas também o “Amém”.  O Senhor não apenas aquiesce com a vontade de Deus como expressado nas promessas de Deus no evangelho, Ele as leva/conduz até a conclusão.  Além disso, Ele garante pessoas através da graça que se tornam Seus servos para a realização da vontade de Deus.  Isso é indicado nas duas palavras “por nós” no final do versículo 20.
                 Vs. 21-22 - Tudo o que Deus faz é concreto e confiável.  Ele estabelece almas em Cristo pela presença residente do Espírito de Deus que confirma o trabalho divino em nós.  O efeito deste trabalho nos dá absoluta certeza de tudo o que Deus prometeu. Ele fala de três coisas em particular: “Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus, O qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações”.  Estas são três diferentes operações do Espírito em nós quando somos salvos. Elas nos capacitam a viver inteligentemente, com uma sensação de segurança e felizes no Senhor. 
  • q  A unção do Espírito é para poder e discernimento (1 Jo 2:18-21, 24-27).
  • q  O selo do Espírito é para nossa garantia (certeza) (Ef 1:13; 4:30).
  • q  O penhor do Espírito é para o nosso regozijo (deleite) presente do que virá no futuro (Ef 1:14).

                 Paulo menciona isso para mostrar que uma vez que tudo o que Deus diz e faz pode ser contado/esperado para sempre, Seus ministros devem mostrar o mesmo caráter de imutabilidade e confiabilidade em todas as suas relações com os homens, para que eles representem adequadamente a Deus.
                 V. 23 - Se a integridade das relações de Paulo era de caráter excelente, então por que ele não iria até eles como planejado? Paulo agora responde isto: Para mostrar a absoluta sinceridade da explicação que estava prestes a dar, ele chama Deus por testemunha, dizendo, “Invoco, porém, a Deus por testemunha sobre a minha alma”. Isto mostrou que sua consciência estava limpa diante de Deus, e que estava dizendo a verdade. Ele continua dizendo, “que para vos poupar não tenho até agora ido a Corinto”. Se ele tivesse ido quando pretendia, teria de lhes infligir severa disciplina por causa dos muitos males e desordens que havia naquela assembleia! Ele os queria “poupar” do julgamento que certamente recairia sobre eles, então ele atrasou sua vinda para dar-lhes tempo para se arrependerem e colocarem as coisas em ordem. Então, não era que ele fosse descuidado; foi exatamente o oposto - foi porque cuidava deles!  Para eles, como assembleia, foi totalmente falta de consideração que ele não tivesse ido! A acusação deles de inconstância, era, portanto, simplesmente infundada. Aprender isso deve ter humilhado ainda mais os Coríntios.
                 V. 24 - Tendo que intervir e exercer sua autoridade apostólica em Corinto (se as coisas não tivessem sido colocadas em ordem) pode ter sido interpretado como que ele estivesse procurando ter domínio sobre eles, e controlar sua fé. Portanto, ele acrescenta, Não que tenhamos domínio [governo] sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vosso gozo; porque pela fé estais em pé”.   Isso, ele esperava, aliviaria suspeitas de querer dominar suas consciências. Ele não tinha pensado em dominar sua fé; só queria aumentar a felicidade deles e ser um “cooperador” de sua “alegria”. Ele não queria dominar suas consciências nessa questão, mas sim fazê-los agir para a glória de Deus ao colocar as coisas em ordem. Como ninguém tem autoridade apostólica hoje em dia, quando há desordens numa assembleia, tudo o que um servo do Senhor pode fazer é instruir, encorajar e guiar os santos em assuntos locais que possam os estar incomodando, e deixar suas consciências agirem diante do Senhor.
                 Já que estamos todos no ministério de uma forma ou de outra, esse princípio de consistência se aplica a todos nós. Portanto, tenhamos o cuidado de ser consistentes em todas as nossas questões na vida; isso dará peso (força) ao nosso ministério. 

quinta-feira, 7 de junho de 2018

As características de um verdadeiro ministro de Cristo


AS CARACTERÍSTICAS DE UM VERDADEIRO
MINISTRO DE CRISTO
                 Atacado por certos críticos, Paulo agora apresenta a grande defesa da sua vida e ministério. À medida que explica seus movimentos no serviço do Senhor, remove as dúvidas e suspeitas que foram implantadas nas mentes dos Coríntios por seus opositores.  Ele expõe de maneira cuidadosa e metódica o engano e o absurdo das falsas alegações feitas a ele, mostrando aos Coríntios que aquelas críticas eram infundadas.
                 Como mencionado, à medida que faz isto, ele apresenta um esboço de caráter do que um verdadeiro ministro de Deus deveria ser. Isto daria aos Coríntios um padrão pelo qual os eles poderiam discernir todos os quais viessem e a eles apresentando-se como ministros da Palavra, e também fornece a nós um perfil do que deveria nos caracterizar como ministros de Cristo.

Um Verdadeiro Ministro é Cheio
da Compaixão de Deus
(Cap. 1:3-11)
                 O povo de Deus está continuamente passando por sofrimento e provações; se o servo do Senhor vai ministrar a eles efetivamente, deve ter um coração como o de Deus – cheio de compaixão. Deus é “o Pai das misericórdias [compaixão] e quer isso muito característico em Seus ministros. Esta, então, é a primeira grande característica que deveria marcar todo ministro Cristão – um coração cheio da compaixão de Deus.
                 Isto foi algo que caracterizou a vida e ministério do Senhor Jesus Cristo – nosso Modelo de Servo. Diz que quando Ele via as multidões, “Ele era movido de grande compaixão” (Mt 9:36, 14:14; Mc 1:41). Sem esta importante qualidade pessoal, o servo do Senhor terá falta de poder e efetividade em alcançar os corações das pessoas que estão passando por provações e aflições.
                 Esta importante qualidade, no entanto, não é adquirida estudando-se livros; não podemos obtê-la fazendo seminário, ou estudando J. N. Darby “Sinopses dos Livros da Bíblia”.  É uma característica (um traço) que não vem naturalmente ao coração humano, porque somos naturalmente mais preocupados conosco do que com o bem estar dos outros. Deus Mesmo forma esta importante qualidade em nossas almas na escola da aflição. Ele prepara Seus servos (ministros) moral e espiritualmente fazendo-os passar através de circunstâncias difíceis (provas) pelas quais aprendem lições valiosas e obtêm graça d’Ele no caminho da vida.  Se examinarmos as Escrituras, veremos que praticamente todo servo que Deus chamou e usou, Ele primeiro o educou em segredo, no que podemos chamar de “história secreta com Deus no deserto”. Por esse meio, o servo é capacitado por Deus para ministrar efetivamente aos outros, (entrando) participando de suas provações e genuinamente simpatizando com eles em suas dificuldades.
                 Vivenciar as provações na vida é o modo escolhido por Deus para treinar Seus servos em Sua escola; é assim que Sua compaixão é neles formada. O Senhor não comete erros em Suas lições. Tudo o que Ele permite em nossas vidas é para nosso desenvolvimento moral e espiritual. Eliú corretamente disse “quem ensina como ele?” (Jó 36:22). O propósito do ensino em Sua escola é que Ele teria um lugar maior em nossos afetos e que não teríamos confiança na carne. A Escritura fala sobre ser “mudado de vaso para vaso” descrevendo esses exercícios (Je 48:11). Foi dito que nenhum servo foi usado por Deus que não tenha sofrido. Sendo este o caso, muitos podem invejar o ministério de um servo, mas ninguém vai invejar sua disciplina. Muito do trabalho de Deus em Sua escola é ocupado em nos reduzir a um tamanho útil no qual Ele possa usar em Seu serviço. Com todos nós, este é um trabalho em andamento. O incrível sobre isto é que Deus usa vasos que Ele não terminou no que diz respeito ao seu desenvolvimento pessoal.
                 Vs. 3-11 - Paulo louva a Deus pelo conforto divino que recebeu em suas provações e aflições pessoais (vs. 3-7), e pelo livramento divino que recebeu quando Deus o tirou daquelas provações (vs. 8-11). Compreendendo que essas coisas todas trabalham juntas para gloria de Deus e para o supremo conforto do Seu povo, Paulo fala com louvor das “misericórdias [compaixão] de Deus” em tempos de aflição. Ele exulta: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias [compaixões] e o Deus de toda a consolação; Que nos consola [encoraja] em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar [encorajar] os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação [encorajamento] com que nós mesmos somos consolados [encorajados] por Deus”.  Nesta curta bênção, ele liga o verdadeiro conforto à sua fonte divina – o próprio Deus. Satanás é o deus de desencorajamento, mas nosso Pai é “o Deus de toda a consolação [encorajamento]”. Paulo podia louvar a Deus por tudo o que ele teve de passar na vida porque sabia que algo estava sendo trabalhado nele que o ajudaria ao final a encorajar os santos.
                 Então, Paulo se gloriou nas “tribulações” (Rm 5:3-5). É preciso fé para ser capaz de honestamente agradecer a Deus por toda situação de prova em que Ele nos coloca, contudo  é isto que o apóstolo fez. É fácil louvar a Deus em tempos bons, mas fé O louva em todo o tempo – mesmo quando os tempos são difíceis. Davi disse “Louvarei ao SENHOR em todo o tempo” (Sl 34:1). Da mesma forma, Paulo disse “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5:18).
                 É significativo que a palavra “consolação [encorajamento]” apareça dez vezes em cinco versículos curtos (vs. 3-7). Esta repetição nos diz que o povo de Deus precisa muito encorajamento. Deus, portanto, tinha um propósito definido em transmitir Seu consolo ao apóstolo. Ele queria que ele “confortasse [encorajasse] os que estivessem em alguma tribulação, com a consolação [encorajamento] que ele recebeu de Deus (v. 4).
                 Ele chama o sofrimento que ele passou de “as aflições de Cristo” (v. 5).  Ele quis dizer que a perseguição e as hostilidades que ele suportou eram do mesmo caráter que aquelas que o Próprio Senhor suportou quando ministrou na Terra.  Esses são parte dos sofrimentos do martírio do Senhor. Se formos fiéis, compartilharemos esses sofrimentos do Senhor (Mc 10:39),  mas nunca podemos compartilhar os Seus sofrimentos expiatórios (Mc 10:38).
                 Como mencionado, o conforto que Paulo recebeu de Deus em Suas aflições, foram, fundamentalmente, para o bem dos Coríntios. Ele disse Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação [encorajamento] e salvação” (v.6).  Eles eram os que se beneficiariam de suas aflições, porque ele era capaz de ministrar a eles o conforto de Deus mais efetivamente. Paulo acrescentou “E a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação [encorajamento]” (v.7).  Sua “esperança” para eles era que se beneficiassem de seus sofrimentos recebendo seu ministério.
As experiências pelas quais Paulo passou nas provações produziram nele um efeito triplo:
q  Deu-lhe uma nova causa para louvar a Deus (v.3).
q  Ele adquiriu uma compreensão de como Deus dá consolo ao Seu povo em tempos de provação (v.4a).
q  Permitiu-lhe consolar e encorajar outros que passavam por provação (vs.4b-7).  Sua “esperança” era que os santos se beneficiassem dos resultados de suas provações em seu ministério.

                 V. 8 – Ele passa a dar-lhes um exemplo da aflição que passou, apontando para o problema que sofreu “na Ásia”, que era bem conhecido entre os santos em geral (At 19:22-41). Ele diz que eles foram sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos”. Em sua primeira epístola, referiu-se a este mesmo conflito, dizendo que “combati em Éfeso contra as bestas” (1 Co 15:32). Os homens naquela região eram tão veementemente contra a verdade do evangelho que se comportavam como bestas selvagens.
                 Paulo tinha uma razão definida para dizer isso aos Coríntios; havia alguns entre eles que diziam que ele era um indivíduo problemático e que provocava problemas e controvérsias por toda parte que ia.  Eles o acusaram de constantemente se envolver em problemas com as autoridades e de ser um incômodo público, e este incidente em particular foi usado para fundamentar seu argumento. Mas não era este o caso. As aflições que ele passou na Ásia foram sofrimentos legítimos pelo amor do evangelho e não foram por causa de qualquer erro pessoal.  Alguns dos Coríntios estavam criticando o Apóstolo pelos problemas que ele havia enfrentado, mas, na realidade, Deus ordenou isso para que eles acabassem por receber disso uma bênção!
Eles seriam os recebedores da graça e conforto que Paulo recebeu de Deus naqueles problemas através de seu ministério de conforto para eles. Aprender isso deve ter surpreendido os coríntios.
                 V.9 - Sofrer aflição desta maneira obviamente não era algo agradável. Paulo diz Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos”.  Ele e seus cooperadores chegaram perto da morte (martírio) naquela ocasião, mas eles entenderam totalmente que eram homens que tiveram um encontro com a morte por amor de Cristo; era só uma questão de tempo até acontecer.
                 Independentemente dos mal-entendidos de seus detratores (intencionais ou não), este teste em particular ensinou a Paulo algumas lições valiosas que todos nós precisamos aprender. Foram elas:
q  Não confiar em si mesmo, senão em Deus (v.9). Uma das grandes lições na escola de Deus que o servo do Senhor deve aprender cuidadosamente é não confiar em si mesmo (Jr 17:9; Pv 28:26; Is 2:22).  O Senhor sabe como tirar de nós a autoconfiança, colocando-nos em circunstâncias difíceis na vida onde somos sobremaneira agravados. O resultado é que aprendemos mais completamente d’Ele, e assim o nosso ministério é mais sincero e efetivo.
q  Ter um conhecimento probatório do cuidado preservador de Deus em situações da vida real (v.10).
q  Experimentar a comunhão e o conforto das orações dos santos em tempos de necessidade, por meio dos quais se desenvolve um vínculo mais profundo de amor e apreço por nossos irmãos no Senhor (v.11).

                 V. 10 – Paulo então fala da fidelidade de Deus em libertar ele e seus cooperadores de sua experiência de quase morte, Ele diz “O qual nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda”.  Eles tinham um senso profundo do cuidado preservador de Deus, tendo aprendido a confiar n’Ele em circunstâncias tão difíceis.
                 Alguns pensaram que este versículo está se referindo aos três aspectos da salvação completa de Deus - salvação da penalidade de nossos pecados, salvação do poder do pecado em nossas vidas, e salvação da presença do pecado, conforme apresentado na epístola aos Romanos.  No entanto, o contexto desta passagem mostra claramente que Paulo estava falando sobre uma libertação temporal, não libertação da alma.  Na realidade, ele estava falando de três diferentes tempos de libertação temporal.  Isto é, libertação em um sentido literal, semelhante ao que Israel conheceu nos tempos do Antigo Testamento, quando eles foram libertados (fisicamente) dos Egípcios e dos Filisteus, etc. Deus libertou Paulo e seus cooperadores do perigo do martírio, e Ele continuava a libertá-los daquele perigo atualmente, e Paulo estava confiando que Deus faria isso nos dias vindouros, enquanto pregavam o evangelho entre pessoas hostis.
                 V. 11 – Paulo deu crédito aos Coríntios por sua parte na libertação presente que ele e seus conservos estavam experimentando de Deus.  Ele presume que a compaixão, da qual ele tinha falado, estava em seus corações para com ele, e que eles estavam orando por ele em seus labores. Ele usa uma pequena ironia aqui, pois eles tinham sido críticos dele e era questionável se sequer lembravam-se dele diante do trono da graça.
                 Podemos aprender com isso que não devemos desprezar as provações e tribulações pelas quais passamos porque Deus tem nelas um plano definido. Ele está formando algo valioso em nós, que Ele pode usar para ajudar Seu povo. Cada um de nós está em Sua escola; se ganharmos (aprendermos) das coisas pelas quais passamos, seremos uma ajuda e uma bênção para outros que estão passando por dificuldades. Quanto maior o sofrimento que somos chamados a suportar, maior a oportunidade que temos de aprender o conforto de Deus.  Ele quer nos encher com Sua compaixão, e não há melhor maneira do que ser colocado em situações difíceis, onde nós mesmos precisamos de compaixão, e tê-lO ternamente a ministrá-la a nós. Se tal for o caso, o que virá de nossos corações no ministério terá poder para com aqueles a quem ministramos. Eles verão que realmente nos preocupamos com eles e estamos interessados na sua benção. Consequentemente, eles receberão nosso ministério.

A Introdução à Epístola



A Introdução à Epístola
                 Vs. 1-2 – Mesmo sendo Paulo um apóstolo, ele inclui Timóteo em sua saudação. Mencionar Timóteo não quer dizer que ele era coautor da carta, mas que testemunhou as declarações de Paulo aos Coríntios. Isto foi porque ele estava se dirigindo a uma assembleia, e todas as coisas naquele nível coletivo deveriam ser feitas Por boca de duas ou três testemunhas” (2 Co 13:1; Jo 8:17).
                 Paulo chama a si mesmo um apóstolo de “Cristo Jesus”, porque aquela expressão denota Cristo tendo completado a redenção e retornado ao céu como um Homem glorificado. Foi de Cristo do alto na glória que Paulo recebeu seu apostolado (1 Co 9:1-2). Em cada epístola sua, quando mencionando seu apostolado, fala de tendo o recebido de “Cristo Jesus”. (A KJV não faz esta distinção, mas a maioria das traduções críticas e interlineares faz). Pedro, por outro lado, chama a si mesmo apóstolo de “Jesus Cristo” (1 Pe 1:1; 2 Pe 1:1).  Esta expressão denota Cristo como Aquele que veio do céu para realizar a vontade de Deus, e foi aqui quando o Senhor estava na Terra que Pedro recebeu seu apostolado (Lc 6:13-16).
                 A epístola é endereçada “à igreja de Deus [assembleia], que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia”. “Santos” como mencionados aqui, não denota perfeição moral, como comumente pensado, mas aqueles que foram separados pela obra de Deus no novo nascimento. “Santo” quer dizer alguém separado.  Leva a ideia de ter sido feito santo, porque tal foi colocado em um lugar limpo com uma natureza santa, e estão lá por um chamado divino.  Um santo, embora separado para Deus através de uma obra divina, na prática pode ser completamente pecaminoso em sua doutrina e andar. Isto, é triste dizer, era o caso da assembleia em Corinto. Paulo se dirigiu a eles como sendo “santos” nas duas epístolas, apesar de que seguiam com algumas doutrinas e práticas muito profanas. Isto mostra que o termo se refere à posição de uma pessoa diante de Deus, não seu estado prático.
                 “Graça” e “paz” são mencionadas como sendo dadas “da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo”. Ele dá graça para nossas necessidades no caminho e paz em todas as circunstâncias em que nos encontramos.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

O Propósito de escrever a segunda epístola

A SEGUNDA EPÍSTOLA DE PAULO
AOS
CORÍNTIOS

O Propósito de Escrever a Segunda Epístola
O Apóstolo Paulo escreveu a primeira epístola aos Coríntios para corrigir muitas desordens entre eles. Na maioria, ela produziu resultados positivos, embora depois de escrevê-la ele estivesse preocupado que pudesse não ter o efeito desejado (2 Co 2:1-3; 7:5-7).  No entanto, houve bons resultados; os Coríntios lamentaram seus erros e se arrependeram e os corrigiram. 
As razões para Paulo escrever esta epístola foram primeiro explicar porque ele não foi a Corinto quando disse que iria (capítulo 1).  Ele mostra que seus princípios no agir não foram por falta de cuidado, mas estavam de acordo com o caráter e caminhos de Deus, e que havia uma boa razão de por que ele não foi quando tinha se proposto a ir.
A segunda razão para escrever a epístola foi para exortar os santos em Corinto a mostrar graça e perdão ao arrependido que tinha sido tirado de comunhão (cap. 2). Suas instruções a eles nos fornecem a maneira apropriada de restaurar à comunhão uma pessoa que foi afastada.
A terceira razão para escrever foi uma questão delicada envolvendo o próprio Paulo. Uma reconstrução das circunstâncias acompanhando a escrita da epístola evidencia que havia um elemento de detratores entre os Coríntios que eram contrários a Paulo. Eles procuraram desacreditar seu ministério com uma enxurrada de críticas, opondo-se a ele em conexão a numerosas falhas imaginárias.  O efeito de sua obra maligna foi levar os santos de Corinto a desconfiar do apóstolo e questionar seu ministério. Isso certamente não era bom, e eles precisavam ser libertos daquela divisão.
Paulo sabiamente não tratou desta questão em sua primeira epístola, mas deixou até então porque isso envolveu defender seu próprio caráter e ministério, bem como seu apostolado.  Como esse elemento de oposição estava profundamente arraigado naquela assembleia, lidar com esse problema exigiria mais tato.  Paulo não queria parecer como alguém que estivesse apenas se defendendo em uma briga pessoal.  Poderia ser facilmente interpretado como uma ação da carne, e os santos estariam inclinados a acreditar que seus críticos estavam certos.  O assunto era muito mais sério do que aparecia na superfície; seus opositores eram “falsos apóstolos” e “obreiros fraudulentos” que estavam realizando a obra de Satanás entre os Coríntios, desviando-os do apóstolo e da verdade que Deus lhe dera para dar a eles (2 Co 11:13). Assim, lidar com esse problema sem dar a impressão diretamente, como se estivesse se defendendo, exigiria sabedoria que somente o Espírito de Deus pode dar.
Nos capítulos 1-7, o Apóstolo explica aos Coríntios seus movimentos e princípios do agir. Ao fazer isso, de uma maneira indireta, ele dá um esboço  notável do que deve caracterizar um verdadeiro ministro Cristão. De certo modo ele “mata dois coelhos com uma cajadada”. Aparentemente, parece que ele está dando uma explicação simples de seus movimentos a serviço do Senhor, mas no fundo, ele cuidadosamente faz defesa contra as alegações de seus detratores e, portanto, fornece fundamentos para a aprovação de seu próprio ministério. Não é até a última parte da epístola (cap. 10-13), presumindo que naquele momento ele ganhou a confiança dos Coríntios, que expõe abertamente esse elemento.  Ele fala diretamente e mostra que eram homens falsos e enganosos que estavam fazendo o trabalho de Satanás.
A quarta razão para escrever a epístola era encorajar os santos de Corinto a se dedicarem ao ministério de dar (cap. 8-9).  Isto era também um assunto delicado, porque poderia parecer que ele estava atrás do dinheiro deles - especialmente depois que lhes dissera em sua primeira epístola que não faria isso (1 Co 9:6-15). Uma vez que abordar este assunto poderia ser mal interpretado, sabiamente esperou até que houvesse uma necessidade entre os santos que não envolvesse o apoio a obreiros como ele próprio. Os pobres santos de Jerusalém precisaram de ajuda financeira, e neste contexto, ele encoraja os Coríntios a dar. Ninguém poderia acusá-lo de estar tirando proveito de sua riqueza porque ele não estava pedindo nada para si mesmo.  No entanto, os princípios que ele dá nesses dois capítulos têm uma ampla aplicação e podem ser aplicados àqueles que trabalham para o Senhor em ministrar a Palavra, bem como para qualquer um do povo do Senhor que esteja em alguma necessidade financeira.


A Aplicação Prática
Como mencionado anteriormente, esta epístola apresenta um quadro maravilhoso das características de um verdadeiro ministro Cristão, como visto no próprio Paulo.  Sua aplicação prática está em entender que todo cristão é um ministro de Cristo Jesus – ou pelo menos, deveria ser.  Ministério é o exercício do nosso dom no serviço do Senhor (1 Pe 4:10-11; Rm 12:5-8). É simplesmente a execução do nosso serviço para o Senhor, seja qual for – ensinando, pregando, pastoreando, ajudando, mostrando misericórdia etc. Todos temos um serviço a fazer para Ele, e, portanto, estamos todos no ministério em um sentido ou outro. Uma vez que todos somos ministros, esta epístola tem uma importante aplicação prática para cada um de nós.  Ela apresenta um perfil composto de um verdadeiro ministro Cristão, delineando as características morais e exercícios que devem caracterizar todos os que estão no ministério.

As Três Principais Divisões na Epístola
q  Capítulos 1-7 – As características de um verdadeiro ministro Cristão e seu ministério.
q  Capítulos 8-9 - O apoio do ministério Cristão através do ministério de dar.
q  Capítulos 10-13 – A defesa do Apostolado de Paulo e verdadeiro ministério Cristão.

Índice


A Segunda Epístola de Paulo
aos
CORÍNTIOS


As Características de um Verdadeiro
Ministro de Cristo






Bruce Anstey


ÍNDICE

INTRODUÇÃO

Capítulos 1-7 – AS CARACTERÍSTICAS DE UM VERDADEIRO MINISTRO CRISTÃO
A Introdução da Epístola
Um Verdadeiro Ministro Cristão é Cheio da Compaixão de Deus
Um Verdadeiro Ministro Cristão é Consistente em Todas as Questões da Vida
Um Verdadeiro Ministro Cristão é Fiel para Confrontar Questões Que Afetam a Glória do Senhor
Um Verdadeiro Ministro Cristão Tem um Ministério que Impacta seus Ouvintes
É Triunfante
É Transformador
Um Verdadeiro Ministro Cristão Tem seu Exercício Pessoal a respeito do Ministério que Possui
Um Vaso Pronto
Um Vaso Limpo
Um Vaso Vazio
Um Vaso Quebrado
Quatro Coisas que Sustentam o Ministério
Os Motivos do Ministro Cristão em Devotar-se ao Serviço do Senhor
A Certeza da Glória Futura
O Tribunal de Cristo
O Amor de Cristo
O Ministro Cristão Testado e Aprovado de Deus
Nove Circunstâncias de Teste
Dez Características Morais
Nove Situações Paradoxais
Apelo de Paulo aos Coríntios
Afeição Genuína de Paulo aos Coríntios
O Caráter Irreprovável da Vida de Paulo
Os Terrenos sobre os quais Paulo Poderia Agora Chegar a Eles
Sete Coisas que Provaram seu Arrependimento

Capítulos 8-9 – O MINISTÉRIO CRISTÃO DE DAR
Os Exemplos de Dar (Contribuição)
Os Macedônios
O Próprio Senhor
Os Princípios de Dar
A Administração dos Dons
Os Frutos de Dar

Capítulos 10-13 – A DEFESA DA AUTORIDADE APOSTÓLICA DE PAULO
Um Apóstolo Tem Poder Especial de Deus para Entregar Alma
Um Apóstolo Tem Poder Especial de Deus para Executar Julgamento se Necessário
Um Apóstolo Tem Poder Especial de Deus para Abrir Novos Campos de Trabalho
Um Ministério de um Apóstolo Liga (Vincula, Apega) os Corações dos Santos a Cristo
Um Apóstolo é Chamado a Sacrificar-se a si Mesmo para o Bem de Outros
Um Apóstolo Sofre pela Verdade que Possui
A Um Apóstolo Foram Dadas Visões Especiais e Revelações
A Um Apóstolo Foi Dado Poder para Fazer Sinais e Maravilhas


OBSERVAÇÕES DE ENCERRAMENTO
A Oração do Apóstolo
A Saudação de Encerramento
Cinco Breves Exortações

Um verdadeiro ministro cristão é consistente em todas as suas questões na vida

Um Verdadeiro Ministro Cristão é Consistente em Todas as Suas Questões na Vida (Cap. 1:12-24)                  Paulo continua a expl...